Nem sei como me sinto...
Claro que aqui estou a dialogar apenas com o papel ou, melhor, com o computador. Isto porque há muito nada publico aqui e, consequentemente, os poucos que me liam perderam o hábito e debandaram.
O meu sentimento é de um grande vazio. Parece que tudo me foge, que nada me preenche.
Não tenho conseguido dar seguimento e consistência às minhas convicções, não tenho sido hábil a torná-las vida.
Perece-me ser um intermitente (isto para não dizer um "permanente", porque não é cem por cento exacto) frustrado, nos vários domínios ao longo da minha vida. Muitas linhas quebradas, muitos cortes, muitos becos sem saída, muitos escuros, muito negrume...
Que fazer? Para onde me voltar? Onde a luz para a minha escuridão interior?
É que o autómato que me sinto não encontra a chave do programa que o condiciona...
(imagem alterada a partir da original em: http://filosofiaeespiritualidade.blogspot.pt/2016/05/angustia-anguish-angustia.html)
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
O Principezinho
Em
Portugal estreou há pouco a adaptação da obra-prima de Antoine de Saint-Exupéry,
O Principezinho.
Trata-se
de um filme de animação realizado por Mark Osborne, que usa junta duas tecnologias
distintas da animação, com funções diferentes: sequências em 3D
(tridimensional), que apresentam a história de fundo (a menina e o seu vizinho,
o aviador), e as cenas em stop-motion, que mostram alguns dos mais significativos episódios do livro O Principezinho,
tal como como vêm na obra de Exupéry. Produzido pela Onyx Films, com argumento
de Irena Brignull, o filme original, é em francês.
O
filme é mais do que uma simples adaptação da história do Principezinho. E, para mim, trata-se de uma excelente recriação a
partir da prosa poética de A. Saint-Exupéry.
E,
tal como a genial obra de Exupéry, que parecendo ser feita para as crianças
mais se dirigia aos adultos, lembrando embora a criança que há em cada um de
nós, também esta película, que as crianças vêem com muito agrado e satisfação,
interpela fortemente os adultos.
A terna
e incisiva poesia está bem presente ao longo de todo o filme. Os valores — a amizade,
a solidariedade, o deslumbramento, a afirmação pessoal, a atenção ao outro,
etc. — são patentes e explícitos. Mas, nesta recriação, a crítica mordaz e
certeira aos desmandos desta sociedade de consumo manifesta-se com exuberância.
Não
é uma estória delico-doce a desta criança, obrigada ser formatada por uma “educação”
que só pretende resultados (e excelentes!) e, por isso tudo é programado ao
pormenor (mesmo a amizade com alguém!), roubando-lhe a infância, a alegria, a
diversão. É uma crítica fortíssima ao cinzentismo desta civilização, à busca
desenfreada do lucro.
Impressionou-me
muito, entre outros, o plano quase inicial do filme onde, a cidade em que vive
a pequenita, se vê a partir do espaço (mais parecendo uma placa de computador!)
e se vai aproximando até ao nível das ruas, com o movimento dos veículos e das
pessoas. Tudo muito síncrono, muito ordenado, muito igual, onde não há espaço para
o diferente, para a poesia. Essa só surge quando, ao lado da casa que a mãe
comprou está uma edificação não rectilínea, mas cheia de cor e de natureza a envolvê-la!
E que muito vai influenciar a menina.
A
película tem ritmo, tem movimento, não é nada monótona. A música está muito
adequada e acompanha em perfeição toda a acção. A imagem é belíssima.
Mas,
mais importante que estes aspectos técnicos, este é um filme que faz pensar,
mesmo a divertir. Para mim, um filme a não perder.
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domingo, 15 de novembro de 2015
O "Pacto das Catacumbas"
Há 50 anos: o ''Pacto das Catacumbas'' para uma Igreja serva
e pobre*
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| Catacumbas de Domitila - Ágape |
No dia 16 de novembro de 1965, há 50 anos, poucos dias antes
do encerramento do Vaticano II, cerca de 40 padres conciliares celebraram uma
Eucaristia nas Catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade ao Espírito
de Jesus. Depois dessa celebração, assinaram o "Pacto das
Catacumbas".
O documento é um desafio aos "irmãos no
Episcopado" a levar adiante uma "vida de pobreza", uma Igreja
"serva e pobre", como sugerira o Papa João XXIII.
Os signatários — entre eles muitos brasileiros e
latino-americanos, embora muitos outros aderiram ao pacto mais tarde —
comprometiam-se a viver em pobreza, a renunciar a todos os símbolos ou
privilégios do poder e a pôr os pobres no centro do seu ministério pastoral. O
texto teve uma forte influência sobre a Teologia da Libertação, que surgiria
nos anos seguintes.
Um dos signatários e propositores do pacto foi Dom Hélder
Câmara.
Eis o texto.
Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre
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| Catacumbas de Domitila - Ágape |
Nós, Bispos,
reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências de nossa
vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa
iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção;
unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo com a graça e
a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes
de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração,
diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos
fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas
também com toda a determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça,
comprometemo-nos ao que se segue:
1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no
que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que
daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.
2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente
no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa
(devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; Act 3,6.
Nem ouro nem prata.
3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc.,
em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da
diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.
4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e
material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do
seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e
apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.
5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e
títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência,
Monsenhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt
20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.
6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos
aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma
preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou
aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.
7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de
quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por
qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas
como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt
6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.
8) Daremos tudo o que for necessário do nosso tempo, reflexão,
coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos
laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique
as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos,
diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os
operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt
11,4s; Act 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.
9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas
relações mútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência"
em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e
todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos
competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.
10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis
pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática
as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade
e ao desenvolvimento harmónico e total do homem todo em todos os homens, e, por
aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos
filhos de Deus. Cf. Act. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16.
11) Achando a colegialidade dos bispos sua
realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em
estado de miséria física, cultural e moral - dois terços da humanidade -
comprometemo-nos:
·
a
participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos
episcopados das nações pobres;
·
a
requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o
Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adopção de estruturas
económicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada
vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem da sua miséria.
12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade
pastoral, a nossa vida com os nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e
leigos, para que o nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:
·
esforçar-nos-emos
para "revisar nossa vida" com eles;
·
suscitaremos
colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns
chefes segundo o mundo;
·
procuraremos
ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
·
mostrar-nos-emos
abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; Act 6,1-7; 1Tim
3,8-10.
13) Tornados às nossas dioceses respectivas,
daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes
ajudar-nos pela sua compreensão, seu concurso e suas preces.
Ajude-nos Deus a sermos fiéis.
* O Pacto das Catacumbas foi assinado por 42
Bispos de 25 países, representando os cinco continentes. Os 5 bispos
brasileiros signatários do documento foram Dom João Batista da Mota e
Albuquerque, Arcebispo de Vitória (ES), Dom Francisco Mesquita Filho, Bispo de
Afogados da Ingazeira (PE), Dom José Alberto Lopes de Castro Pinto, Bispo
Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Henrique Hector Trindade OFM,
Bispo de Bonfim, (BA) e Dom António Batista Fragoso, Bispo de Crateús (CE).
Posteriormente, o Pacto foi assumido por cerca de 500 dos 2.500 bispos do
Concílio.
Um dos proponentes do Pacto, foi Dom
Hélder Câmara, fundador da CNBB e sempre comprometido com as causas sociais no
Brasil.
(texto retirado de: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/515573-o-pacto-das-catacumbas-para-uma-igreja-serva-e-pobre)
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terça-feira, 25 de março de 2014
A Vida de Pi
um poema visual
Este
belíssimo filme, um verdadeiro poema visual, em especial se visto em três dimensões,
é um hino à vida: a luta pela sobrevivência em que a convivência entre a fera
(tigre de Bengala) e o homem (Pi) constitui a recíproca motivação — cada um
precisa do outro para se manter vivo.
É toda uma
narrativa em que se vão explorando temas muito interessantes e importantes: a
ciência, a razão, a religião, a fé, o amor, a natureza.
A construção
da personalidade de Pi, desde a sua infância, com a interacção família (pais e
irmão), escola (a necessidade de afirmação mesmo em ambientes não favoráveis), religiosidade,
descoberta de si e do outro, tudo isto vai sendo aflorado neste filme que se vê
com encanto, com prazer.
Não foi por
acaso que este filme recebeu 4 óscares: Melhor
Fotografia, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Banda Sonora Original e Melhor Realizador.
Adaptação do
romance homónimo de Yann Martel (prémio “Man
Booker Prize de 2002”), este é um filme que certamente despertará em quem o
viu a vontade de ler o livro que lhe deu origem, e quem leu o livro não deixou
de ir ver este belíssimo filme.
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domingo, 16 de março de 2014
O jejum
A marca fundamental da Quaresma — tempo litúrgico que
estamos a viver — é a conversão: voltar-se para. Voltar-se para Deus
é, necessariamente, voltar-se também para os outros e, ainda,
voltar-se para dentro de si mesmo. A Quaresma é o tempo, por excelência do
encontro: consigo mesmo, com os outros, com Deus.
Para isso, a Igreja propõe-nos alguns instrumentos
importantes, como a oração, a penitência, o jejum.
É claro que todo o jejum (aquilo de que me abstenho) deve
visar uma partilha com os outros. E convém que, sobre o jejum, não fiquemos
apenas no sentido mais clássico de jejuar: abster-se de alimento, ou, pelo
menos, de algum tipo de alimento. Mas nesta presente época de crise, que já nos
obriga a viver muito mais modestamente, é possível pensar em novas formas de
jejum.
Há quem, mesmo sem ser por convicções cristãs, por exemplo,
semanalmente, desligue um dia o seu telemóvel: fica mais independente e livre
para atender aos que lhes estão mais próximos, sobretudo a família. Chama-se a
isto o “desliga-te”. Não se trata de gastar menos em chamadas.
Trata-se, isso sim, de poder prestar mais atenção à família, escutando-se mais,
estando menos dependente dos estímulos externos. Há, ainda, o “desliga-te”
da televisão. Um dia por semana não há televisão. Há mais tempo para jogos em
casa, para conversar com os filhos, com a esposa, com o marido, com os pais.
Este é um jejum que nos pode tornar melhores: mais atentos aos outros, mais interactivos,
mais humildes, mais pessoas. E aquilo de que nos abstemos reverte em favor dos
outros. É uma partilha não monetária, mas cheia de valores, cheia de comunhão.
No seguimento da mensagem para a Quaresma do papa Francisco,
devemos levar à prática o amor misericordioso de Deus por cada um de nós, dando
mais tempo e espaço aos outros no nosso coração, na nossa vida: “A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e
far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e
enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza
dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio
da esmola que não custa nem dói.” (mensagem do papa
Francisco). Nem que essa privação (jejum) seja de algo como a televisão, ou o
telemóvel, uma vez por semana.
“Que Ele [o Espírito Santo]
sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela
miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia.”, diz o
papa Francisco.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Missão Abreviada
Dediquei longas horas de trabalho (pesquisa, triagem, redacção) à pessoa do Padre Manoel José Gonçalves Couto e à sua obra mais conhecida, a "Missão Abreviada".
Fruto desse labor, em 2002, com a ajuda do Grupo Cultural Aquae Flaviae, de Chaves, publiquei
Fruto desse labor, em 2002, com a ajuda do Grupo Cultural Aquae Flaviae, de Chaves, publiquei | «A "MISSÃO ABREVIADA" DO PADRE MANUEL COUTO : UM ABEIRAMENTO CONTEXTUADO», catalogado já na base de dados da Biblioteca Nacional. Para quem tenha alguma curiosidade neste tema, deixo aqui, a ligação para o texto, em ficheiro PDF, que contém o miolo do meu trabalho. Não apresenta, todavia, as fotos que estão inseridas no meu livro. |
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Padre Manuel Couto
sábado, 13 de novembro de 2010
Um excepcional filme contra a indiferença: "Dos homens e dos deuses"
Tive ontem a oportunidade de ver o filme de Xavier Beauvois, "Dos homens e dos deuses", que obteve o Grande Prémio no Festival de Cannes de 2010, para além de outros prémios.
Sóbria a realização, relata-nos um acontecimento verídico, ocorrido na Argélia, nos anos 90, em que 7 monges da comunidade cisterciense de Tibhirine são massacrados. Apanhados no "fogo cruzado" entre um governo corrupto e fundamentalistas islâmicos durante a guerra civil argelina, em 1996, são instados, quer pelo governo quer pelos extremistas islâmicos, a abandonar o mosteiro e a população que vive nas imediações e a quem prestam assistência.
O realizador mostra viva e claramente o drama íntimo de cada um deles: ficar significa certamente morrer. E porquê? Em nome do quê? Fugir? Porquê? O que é ser fiel ao chamamento de Deus naquele contexto? E ainda a luta interior do responsável da comunidade por quem foi eleito superior: como a conduzir, como servi-la e servir as pessoas junto de quem estão? Serenidade, firmeza, solidariedade, entrega total. E a comunidade atingirá a unanimidade na sua decisão final.
Impressionou-me muito, entre outros apontamentos, uma imagem que os monges usam e referem aos aldeãos referindo a possibilidade de terem de sair dali: "Nós somos como aves num ramo sem saber quando levantar voo". Ao que uma mulher returque: "Não, nós é que somos as aves que poisam na árvore que sois vós. Se saírdes, não temos onde pousar!"
Neste tempo de extremismos e de violência, importa deixar-se interpelar por gestos como este que o filme espelha: somos questionados sobre o nosso comportamento para com os outros que, porque diferentes mas e, principalmente, porque pessoas, devemos escutar, aceitar e respeitar na sua diferença e nos seus valores.
Embora com muitas diferenças, não pude deixar de recordar o belíssimo texto (conto) de Ferreira de Castro: "A Missão".
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